Quando a Fed corta os juros, o que muda mesmo na sua carteira
Um corte de juros torna o dinheiro mais barato: as obrigações que já tem sobem de preço, as acções que prometem lucros distantes valem mais, e o dólar tende a enfraquecer. Mas pesa mais o motivo do corte do que o corte em si: se a Fed corta porque a economia está a piorar, as bolsas podem cair na mesma.
As obrigações que já tem sobem
Uma obrigação paga um cupão fixo. Se os juros novos descem, a sua obrigação antiga que paga mais torna-se mais desejável, e o preço sobe. É o efeito mais directo e o mais fiável de todos.
O efeito é tanto mais forte quanto mais distante for a maturidade: uma obrigação a dez anos mexe muito mais do que uma a dois anos, para o mesmo corte.
As acções: depende de quais
As empresas que valem sobretudo pelo que vão ganhar daqui a muitos anos — tecnologia, crescimento — são as mais sensíveis: com juros baixos esse futuro distante vale mais hoje. As que já ganham de forma estável mexem menos.
Os bancos vão muitas vezes em sentido contrário: ganham na diferença entre a taxa a que emprestam e aquela a que se financiam, e essa diferença estreita-se quando os juros descem.
Porque às vezes as bolsas caem na mesma
A Fed não corta por favor aos investidores: corta porque vê a economia a abrandar ou o desemprego a subir. O corte é o remédio, e o remédio chega quando há doença.
Por isso a reacção depende do que o mercado já dava como certo. Um corte esperado há meses já está no preço. Um corte por surpresa, feito à pressa, pode assustar mais do que tranquilizar: diz que a Fed viu alguma coisa má.
Em resumo
- Cortar os juros faz subir o preço das obrigações que já tem.
- As acções de crescimento beneficiam mais; os bancos costumam sofrer.
- Pesa mais o motivo do corte do que o corte.
- Um corte esperado já está nos preços: reage a surpresa, não a notícia.
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