O que quer mesmo dizer "diversificado", com números
Diversificar não é ter muitas coisas: é ter coisas que não caem todas juntas pelo mesmo motivo. Pode ter vinte fundos diferentes e estar concentradíssimo, se esses vinte fundos tiverem lá dentro as mesmas dez empresas americanas.
A ilusão dos muitos produtos
É a armadilha mais comum: compram-se cinco fundos em cinco momentos diferentes, cada um recomendado por alguém, e dá a sensação de protecção porque são cinco. Depois olha-se lá dentro e descobre-se que os cinco têm as mesmas grandes tecnológicas nas primeiras posições.
O número de produtos não mede nada. O que conta é o que está lá dentro, e se o que está lá dentro reage de forma diferente ao mesmo acontecimento.
As três concentrações a olhar
A primeira, por empresa: quanto pesa a maior posição. Se uma só empresa passa dos 10% do total, a carteira depende de uma única história. A segunda, por sector: se 60% for tecnologia, um problema do sector é um problema de tudo.
A terceira é geográfica e cambial, e é a mais subestimada: uma carteira toda americana não está apenas exposta à economia americana, está exposta ao dólar. São dois riscos, e chegam juntos.
Quanto chega, na prática
Um único fundo de acções global já tem milhares de empresas em dezenas de países: do lado das acções, isso já está diversificado. Acrescentar outros quatro parecidos não acrescenta protecção — acrescenta custos e a sensação de ter feito alguma coisa.
A diversificação que quase sempre falta não está dentro das acções: está entre coisas diferentes — acções e obrigações, que reagem de forma diferente aos mesmos acontecimentos. É daí que vem a estabilidade, não do sexto fundo de acções.
Em resumo
- Diversificar não é ter muitas coisas, é ter coisas que não caem juntas.
- Cinco fundos com as mesmas empresas lá dentro são um só fundo.
- Olhe três concentrações: empresa, sector, zona geográfica e moeda.
- Um fundo de acções global já está diversificado; o que costuma faltar é a parte obrigacionista.
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